Liderança
Não é tarefa fácil dirigir os homens; empurrá-los, pelo contrário, é muito simples. Rabindranath Tagore.
Vivemos em um estado de incerteza aguda – este é o nosso “ambiente natural”. Mas, por favor, não pense que sou um “apóstolo do pessimismo” ou qualquer coisa do gênero – pelo contrário, aceito e compreendo que a única certeza que podemos ter é que vivemos, definitivamente, em um mundo onde a evolução e o desenvolvimento acontece por conta do caos, da destruição e criação, da transformação. Acredito que este é o “estado natural” do nosso mundo.
A pergunta que faço é: diante deste “caos”, a tradicional visão (ocidental) da liderança – comando e controle – é eficaz? É o único “caminho”?
Venho pensando, lendo e pesquisando muito sobre qual deve ser a resposta: sim ou não. Pelo menos até aqui, consigo encontrar bons argumentos para dizer que não, não é o único caminho, tampouco um caminho eficaz. É o que nos propõe a autora dos livros “Liderança: uma nova ciência” e “Liderança para tempos de incerteza”, Margaret Wheatley. A essência do seu pensamento sugere que passemos a olhar para as empresas, organizações e suas equipes, de tal modo que as reconheçamos como “sistemas vivos”, com identidades, significados e expressões próprias de uma “entidade viva”. Para mim, suas idéias são, pelo menos, interessantes.
O que é “PARADIGMA” ?
Foi Thomas Kuhn, físico norte-americano, que organizou as idéias em torno do significado atual da palavra “paradigma”. Em seu livro, “A Estrutura das Revoluções Científicas” publicado em 1962, ele argumenta que para solucionar os problemas que encontram os cientistas utilizam certos “mapas” que reúnem o conhecimento disponível e dá, a esses mapas, o nome de “paradigmas” (do grego parádeigma, cuja tradução, em português, pode ser, literalmente, “modelo”).
Paradigmas, de acordo com Kuhn, reúnem informações ou limitam o território em que se procuram as soluções para os problemas que são enfrentados. E cada problema solucionado reforça a crença no paradigma estabelecido.
Ken Wilber, bioquímico norte-americano, em uma entrevista realizada em 1989, disse: “Um paradigma é um conjunto de princípios do conhecimento e pressupostos que definem o tipo de dados que somos capazes de ver em primeiro lugar”.
Nirso
Nos processos de seleção que realizo, procuro avaliar um conjunto amplo de características do candidato – gosto de utilizar o termo “pedigree”: experiências profissionais, vivências anteriores, formação acadêmica, interesses pessoais, personalidade, etc…
O que busco identificar, lá no fundo, da mesma forma que um engenheiro busca saber se o terreno, onde será construído um grande prédio tem o solo firme, é se o profissional que está a minha frente tem a capacidade de … fazer.
De fazer o que precisa ser feito. Isso, realmente, faz A diferença.
Não é um simples jogo de palavras. Capacidade de fazer, para mim, é a competência mais valiosa: fazer as coisas acontecerem, fazer o resultado aparecer, fazer a estratégia dar certo.
O resto? Os seus conhecimentos técnicos, as suas experiências práticas, a sua formação acadêmica, os seus interesses pessoais, todo este conjunto é importante, sem dúvida. Mas o que vai colocá-lo lá na frente, o que vai distingui-lo entre os demais, será a sua capacidade de fazer, de fazer o que precisa ser feito.
Conheço uma história que oferece um ponto de vista bem humorado sobre o que estou afirmando:
O Poder do Mito
Torna-te aquilo que és. Friederich Nietzsche.
Gosto de ler sobre mitologia – os mitos, para mim, representam os sonhos da humanidade e sempre podemos nos inspirar a partir deles. E a maior autoridade mundial é Joseph Campbell, que escreveu livros formidáveis sobre o tema (“O Herói das Mil Faces, entre outros).
Considerado como um dos maiores mitólogos de todos os tempos, nasceu no dia 26 de março de 1904, na cidade de New York, USA. O seu interesse pela mitologia foi despertado na infância, quando seu pai o levou para ver um espetáculo de Búfallo Bill e para visitar o Museu de História Natural de Nova York, onde as estacas totêmicas e as máscaras dos índios fascinaram-lhe.
Para Campbell, a riqueza dos mitos não está em elucidar ou revelar algum tipo de significado para a vida, mas o de ser um registro simbólico da própria experiência de estar vivo – nas suas palavras, mito capta a vida no seu eterno fluir. Joseph Campbell morreu em Honolulu, Havaí, em 30 de outubro de 1987.
O livro de onde tirei o diálogo abaixo, “O Poder do mito”, é uma animada conversa entre o jornalista norte-americano Bill Moyers e Joseph Campbell. Uma discussão sobre os mitos antigos e modernos que estão na base psíquica de todo ser humano.
Pense fora da caixa
A mente usa a sua faculdade de criatividade apenas quando a experiência a obriga a fazê-lo. Jules Poncaré.
Nem sempre a solução mais óbvia ou mais tradicional – para um desafio ou para uma decisão -, é a melhor alternativa para o que está à sua frente.
Longe de parecer um daqueles conselhos “enigmáticos” de um folhetim barato, uma solução não-convencional (fruto do, como gosto de dizer, “pensar fora da caixa”) pode oferecer perspectivas diferentes, a partir do mesmo ponto de visada.
Se você sempre age da mesma forma, seguro de obter o mesmo resultado, a ousadia do “pensar fora da caixa” pode oferecer conquistas diferentes ou, até mesmo, mais significativas. Ao ultrapassar as fronteiras de um pensamento convencional – na busca de uma nova solução, para um velho problema – , você obriga-se a reordenar o seu raciocínio e esta é uma excelente ocasião para descartar alguns paradigmas, renovar conhecimentos e, principalmente, aprender o “novo”.
Para “sair fora da caixa”, certamente, você precisa ter coragem: expor-se ao diferente, provocar-se, questionar-se, duvidar de si mesmo e das suas crenças.
