Os erros de Swift.
Quem não se comunica, se trumbica. Chacrinha.
Jonathan Swift, que se imortalizou pelo romance “As viagens de Gulliver”, escrito no século XVIII, estudou, por mais de 20 anos, sobre os problemas de comunicação da sua época.
Chamava-lhe a atenção o modo exagerado como algumas pessoas se portavam diante de uma simples conversa: um certa arrogância ao falar, tentativas de fazer humor em ocasiões inapropriadas e mais uma sorte de vícios de comunicação. Em 1709, escreveu um pequeno ensaio sobre o tema, intitulado “Hints Towards an Essay on Conversation” (algo como Observações acerca da Conversação). Trinta anos mais tarde, elaborou um “tratado” mais robusto e extenso sobre essa questão, com o título “A Complete Collection of Genteel and Ingenious Conversation” (Coleção completa sobre conversas ingênuas e engenhosas), onde apontava, com comentários irônicos e satíricos, as banalidades mais comuns que impediam uma boa comunicação, na sociedade da sua época.
Seu currículo.
Seu currículo chega, no entrevistador, antes de você. O seu e, provavelmente, os de muitos outros profissionais.
Além de ser um documento que atesta ou apresenta suas experiências, você pode, portanto, transformá-lo em seu “porta-voz”. O Google pode ajudá-lo a encontrar dezenas de modelos e dicas e aqui, publiquei um post sugerindo alguns cuidados fundamentais com o seu currículo.
Contudo… tenho lido alguns conselhos de praticidade duvidosa, em diversos sites e blogs da internet – escritos por quem não entende do assunto -, afirmando coisas como “seu currículo tem 40 segundos para causar uma boa impressão”; “escreva com a letra Arial, em tamanho 12″; “a regra das duas páginas” e por aí vai…
Olhos que brilham
Permita-me dizer com toda a sinceridade: não acredito em líderes. Peter Drucker.
Nossa atual sociedade “se desmancha” com uma velocidade incrível. As referências que eu mesmo tinha, há poucos anos atrás, ou desapareceram por completo ou sofreram uma “plástica radical”.
Com elas, parte da minha “identidade” se foi: teve que ser renovada, substituída, reinventada.
É assim mesmo que deve ser. A imensa pressão pela mudança, pela evolução, encurta os ciclos de vida útil de qualquer referência que temos: social, cultural ou econômica. Como diz a aquela frase batida, ” o velho deve dar lugar ao novo”. E que seja cada vez mais rápido.
Daí, acredito, vem muito da nossa necessidade de “liderança e líderes”: queremos segurar uma “mão firme” que nos ajude a atravessar tempos de incerteza. Precisamos de líderes. Queremos nos tornar líderes. Veja a catarse coletiva a cada período eleitoral, em qualquer país do mundo. Os mais votados sempre serão os que tem discursos redentores, que prometem estabilidade no meio do caos.
Deveríamos, igualmente, renovar o que sabemos sobre “liderança”?
Entusiasmo
O entusiasmo é a maior força da alma. Conserva-o e nunca te faltará poder para conseguires o que desejas. Napoleão Bonaparte.
Nem todos tem o cargo ou a profissão que desejariam ter: pressionados pela necessidade universal da sobrevivência, podemos ter que abrir mão de uma carreira idealizada e obrigarmo-nos a aceitar um cargo que não é, exatamente, aquele que gostaríamos de ter.
Não me surpreenderia se este fosse o seu caso. E se é verdade, ou seja, se realmente você está vivendo uma situação dessas, o que fazer?
Recebo dezenas de currículos e converso com diversos profisssionais, todos os dias. Volta e meia, entrevisto alguém que está trabalhando numa função “abaixo do seu potencial ou talento”. Por uma circunstância qualquer, o sujeito tem a formação acadêmica e as experiências necessárias para exercer um cargo mais relevante porém… está ocupando um cargo “secundário”. Mesmo assim, neste e naquele caso, acabo decidindo por sua contratação. Sabe por que?
Destino
Sou um espectador na minha profissão – assisto histórias, carreiras e sou uma espécie de coadjuvante em um momento importante na vida das pessoas que entrevisto. E sou muito grato por isso. Recebo lições de grande significado, todos os dias, sem exceção. Trago lembranças de pessoas notáveis, que tomaram em suas mãos o curso das suas vidas, das suas carreiras e floresceram.
Por outro lado, vejo outras histórias que poderiam ter outro enredo: estas, são de pessoas que “passam” e que levam sua vida ao sabor dos ventos e das marés. Julgam-se desafortunadas e deixam a vida levá-las, como naquela letra de um samba famoso.
Desperdício. O mais cruel dos desperdícios. Podemos desejar nossas “vidas futuras” – no quê nossas vidas vão se transformar – como o resultado de uma sucessão de eventos, absolutamente fortuitos, jogados à nossa frente pela mão do acaso? Ou podemos acreditar que temos o “destino” em nossas mãos e que, senão todo, ao menos uma grande parte do nosso “futuro” é construído, arquitetado e executado, imune aos sopros da sorte?
