O que é “agregar valor” ?
Tudo é caro demais quando não é necessário. Ulisses, de James Joyce.
De tão repetidas, algumas frases, para mim, perderam seu sentido. Quando as ouço, tenho a sensação de estar diante de alguém que não sabe, exatamente, o seu significado mas que insiste em usá-las para preencher o vazio do seu discurso.
“Agregar valor” é uma destas frases e faz pouco tempo a última vez que a ouvi, em uma resposta de um “especialista em carreira”, quando a repórter perguntou sobre quais eram as melhores atitudes para, em tempos bicudos, um executivo garantir sua permanência no emprego.
Neste caso, o que é “agregar valor” ?
Você vai concordar comigo (e com James Joyce): “tudo é caro demais quando não é necessário”. Ora, somos medidos, avaliados e comparados com os resultados que somos capazes de apresentar com o nosso trabalho. Simples assim e não tem meio termo. Você já deve saber disso. Mas pouco ajuda saber, simplesmente, que você precisa “agregar valor” no que faz. Sejamos mais claros.
Quanto tempo você deve ficar?
Assisti, recentemente, uma reportagem sobre o tema “carreira executiva”. O debate, entre os que foram convidados para a discussão, girava em torno da pergunta: “qual o tempo ideal para permanecer em uma mesma empresa?”
Nenhum participante sugeriu uma resposta definitiva, clara. Contudo, ficou “no ar” uma “idéia” aceita por todos, mas afirmada por ninguém: a de que não devemos permanecer por muito tempo em uma mesma empresa e, após um certo “prazo”, todos deveriam procurar por “novos desafios”, sem que nenhum participante desta reportagem apontasse os critérios para definir que prazo seria esse e onde estariam estes novos desafios.
Para mim, esta foi uma reportagem ruim, com uma pauta mal formulada e que não ofereceu resposta alguma, apesar dos sorrisos satisfeitos (e amarelos!) dos seus participantes.
Afinal, quanto tempo você deve “ficar” ?
Os primeiros 90 dias.
Este é seu primeiro dia. Naturalmente, você está ansioso. Afinal, tudo é novo: seus colegas, o escritório onde você vai trabalhar, seu gerente (você é o gerente? muito bem, tudo é novo para você também). A ordem das suas tarefas. Em certos casos, até mesmo suas tarefas.
A partir deste primeiro dia, e já neste primeiro dia, acredite, você começa a ser avaliado (“contratamos a pessoa certa?”). Então, resta a pergunta: o que fazer nestes primeiros 90 dias?
Li em um livro (“Os primeiros 90 dias”, de Michael Watkins, Editora Bookman) esta frase: “O presidente (do seu país) tem 100 dias para mostrar para o que veio. Você terá 90 dias, no seu novo cargo, para fazer o mesmo.” A frase dispensa explicações e, posso afirmar, nem sempre você terá esses 90 dias. Ás vezes, um pouco cruel eu sei, será menos…
Consigo apresentar duas sugestões (recomendações) do que você pode (deve) fazer nestes primeiros 90 dias: 1) conquiste pequenas vitórias, e; 2) peça feedback, regularmente.
Como elaborar seu currículo.
Já escrevi, em outro post (leia aqui) que seu currículo chega antes de você, na frente do entrevistador – é sua “primeira oportunidade de apresentação”. E que o Google pode ajudá-lo a encontrar um bom modelo (lay-out e formato descritivo).
Mas, vamos adiante. Separei um currículo, dos muitos que recebo diariamente, para demonstrar o que pode ser feito, efetivamente, para melhorar a sua “primeira oportunidade de apresentação”.
Para ver o currículo que será “transformado”, clique AQUI.
Observe que, neste exemplo, existem alguns “descuidos”:
- A diagramação está confusa. A opção de centralizar o texto, deixa a leitura “anti-natural” (nós, ocidentais, percorremos um texto da esquerda para a direita). Uma formatação diferenciada pode ser interessante quando você deseja destacar um texto expecífico (um título de uma seção, por exemplo).
- As experiências profissionais não estão evidentes. Neste exemplo de currículo, propositalmente escolhi o de um candidato com pouca experiência. Em casos como este, recomendo um currículo “funcional”, ou seja, um currículo que descreve as atividades desempenhadas e os resultados obtidos em uma função, diferentemente do currículo “cronológico”, que, via de regra, apresenta uma lista das empresas onde você trabalhou.
- Neste caso, você não precisa de três páginas. Não existe nenhuma regra específica sobre o número de páginas ideal de um currículo, mas posso recomendar objetividade. Evite excessos.
- O objetivo descrito não é coerente as experiências profissionais descritas. Como posso avaliar um candidato que deseja empregar-se em uma área comercial, se as experiências anteriores que estão descritas no currículo não me oferecem nenhum “ponto de apoio” para análise?
- As referências profissionais não estão valorizadas. Ponto fundamental, suas referências profissionais atestam quem você é. E podem multiplicar o valor do seu currículo.
Sucesso é uma jornada contínua.
A arrogância é o reino – sem a coroa. Ditado judaico.
Minha trajetória profissional foi costurada por altos e baixos. Logo após meu primeiro emprego (o único com carteira assinada), com 18 anos, coloquei o pé na estrada. E segui pelo caminho da vida, que me ofereceu momentos de alegrias e… tristezas.
Em muitos destes momentos, procurei pelo equilíbrio e me apliquei com muita disciplina. Colhi meus resultados – foram os meus momentos de alegria. Noutras ocasiões, a soberba me venceu: achei que sabia o suficiente, que tinha feito o suficiente ou, pior, que eu era auto-suficiente. Foram meus momentos de tristezas.
Hoje, ao olhar para trás (quando faço isso, costumo lembrar-me do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, em seu livro “Aforismos para a Sabedoria de Vida, capítulo V, “Conselhos e Máximas”, b ) sobre nossa conduta para conosco) vejo o quanto trago das lembranças destes momentos para meus dias de hoje.
