Recebi, de uma leitora deste blog, um pedido especial. E me senti responsável por oferecer uma resposta.
Sou coordenadora de recepção de um hospital, que implantou o programa de “acreditação hospitalar” objetivando melhor qualidade dos serviços em saúde. Lidero diversas pessoas. Necessito fazer um trabalho de “quebra-gelo” com elas, objetivando uma relação de confiança mútua e que as propostas de mudanças para ajuste de processos e condutas sejam discutidas e bem aceitas. Hoje estou identificando a “não-conformidade” nos processos, que comprometem a eficácia da qualidade dos serviços. Eles sempre dizem “eu sempre fiz assim”. Quero propor as mudanças de melhorias sem muitos traumas.
E termina com um pedido sobre “dinâmicas de grupo” que possam servir ao propósito da mudança, como “solução”.
A seguir, a minha resposta.
Como vocês sabem, estudo o tema liderança com muito empenho e dedicação. Entre tantas as “coisas” em que acredito, creio que a liderança é uma capacidade essencial para o sucesso profissional de qualquer pessoa – sem falar no quanto o “poder” da liderança transforma a vida de qualquer um.
De longe, a melhor definição que posso ter de liderança é essa aqui:
“Ao falarmos de liderança, o resultado final não é o ponto em que chegamos, mas a que ponto levamos os outros”.
Para mim, essa frase sintetiza muito do que é possível falar sobre liderança – o que importa, no fim das contas, é até que ponto levamos os outros.
Voltando ao pedido que recebi, posso “ver” o que está acontecendo: pessoas que, por estas ou por outras razões, não estão voluntariamente engajadas em uma mudança. É isso que deve estar acontecendo quando se constata que, pelo menos, aquilo que deve ser feito, não está sendo feito (as “não-conformidades”). Aquilo que deve ser mudado, alterado e melhorado, está se mantendo como antes. E onde tem que existir “confiança mútua” provavelmente existe “desconfiança mútua”.
Nestas situações, eu recomendo outra “solução”. Dinâmicas de grupo são “ferramentas”, “acessórios” excelentes. Mas, são apenas isso: ferramentas e acessórios. Deve-se saber utilizá-las. E quando. Nas situações como a que reproduzi acima, a “solução” é, seguramente, outra. Certamente, tem a ver com liderança.
Não existe engajamento deliberado a uma proposta de mudança, se não houver líder que contamine a sua equipe com o propósito de mudar. Não existe confiança, se não houver um líder que se “conecte moralmente” com sua equipe. E não existirá liderança, enquanto existir o impulso de procurar “atalhos” (dinâmicas de grupo, por exemplo) para o “coração” da sua equipe.
Logo, eu recomendo outra “solução”. Uma que, certamente, vai levar mais “tempo”, vai necessitar de mais “energia”. Mas será muito mais transformadora.
Leve estas pessoas além do ponto em que estão! Inspire estas pessoas! Ouça as suas vozes! Contamine-as com o “vírus da mudança, da evolução, da qualidade”! Lidere-as para a mudança ! Torne-se uma líder autêntica!
Não existirá outro caminho mais eficiente, e mais natural, do que este.
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