Quem não se comunica, se trumbica. Chacrinha.
Jonathan Swift, que se imortalizou pelo romance “As viagens de Gulliver”, escrito no século XVIII, estudou, por mais de 20 anos, sobre os problemas de comunicação da sua época.
Chamava-lhe a atenção o modo exagerado como algumas pessoas se portavam diante de uma simples conversa: um certa arrogância ao falar, tentativas de fazer humor em ocasiões inapropriadas e mais uma sorte de vícios de comunicação. Em 1709, escreveu um pequeno ensaio sobre o tema, intitulado “Hints Towards an Essay on Conversation” (algo como Observações acerca da Conversação). Trinta anos mais tarde, elaborou um “tratado” mais robusto e extenso sobre essa questão, com o título “A Complete Collection of Genteel and Ingenious Conversation” (Coleção completa sobre conversas ingênuas e engenhosas), onde apontava, com comentários irônicos e satíricos, as banalidades mais comuns que impediam uma boa comunicação, na sociedade da sua época.
Ele descreveu:
- Desatenção de quem ouve;
- Hábito de interromper quem está falando;
- Preocupação em mostrar erudição;
- Desejo de dominar a conversa;
- Egoísmo;
- Pedantismo;
- Falta de lógica da conversa;
- Vício em fazer piadas;
- Espírito de contradição;
- Falta de calma ou paciência em explanar os assuntos;
- Trazer à conversa assuntos de ordem e interesse pessoal;
Observe: isso foi escrito… no século XVIII !!!
Pois bem, volta e meia, em uma entrevista, estou diante de um candidato que, empurrado pelo desejo de impressionar, escorrega na direção destes vícios. Para mim, é como ver um suicídio acontecendo ali, na minha frente…
Encontrei, do humorista José Vasconcelos, uma gravação de um “discurso político” que serve muito bem como uma “amostra” de alguns deste vícios, tão atuais na nossa “moderna” sociedade. Minha única recomendação: não cometa esse erro. Com ninguém.
PARA LER MAIS:

#1 by antniomnotel on 08/07/2009 - 10:41
Tudo na vida tem que ser ouvido, mesmo lendo. Só na observação do comportamento das pessoas e estudar não significa somente ler textos, mas se interessar pelos conhecimentos das outras pessoas.
#2 by Margarida Nascimento on 26/10/2009 - 11:42
Olá Roni Chittoni
Excelene postagem. Felizmente consegui superar algumas dessas situações em minha vida, como principalmente o hábito de interromper quem estava falando. Tudo se devia ao fato de achar que não teria tempo de mostrar que concordava com a pessoa. Ficava ansiosa. Já quando discordava ouvia atentamente, para logo depois emitir minha opinião contrária. Dois péssimos hábitos que consegui eliminar, principalmente com a vinda de meus filhos. Ao educá-los, consegui me educar.
Além do mais, apresentava uma atitude que influenciava os que estavam ao meu redor e que causava um tremendo estrago.
Nada como ter calma e paciência para ouvir. Se não puder falar, paciência, sinal de que não vale a pena perder tempo com aquele interlocutor. Ele não dará espaço para você.
Excelentes colocações as suas.
Margarida Coimbra do Nascimento
#3 by Roni Chittoni on 27/10/2009 - 9:19
Ola, Margarida – sabe, antes de conhecer estes dois textos de Jonathan Swift, acreditava que este “sintoma” era típico do nosso tempo. A ansiedade característica, resultado direto do pensamento “tempo é dinheiro” (discordo totalmente deste pensamento, mas isso é tema para outro post). Mas, então, vejo que estamos diante com uma “condição” humana que nos acompanha sabe-se lá desde quando. Abandonar esse “legado”, portanto, exige muito mais do que atenção: exige determinação e disposição. Muito bom o seu comentário ! Espero revê-la por aqui, mais vezes. Abraços fraternos. Roni.