Sua carreira: Engenharia de Produção


Publiquei um tweet, dias atrás, com a seguinte proposta:

Vou responder sua pergunta sobre: currículo, carreira ou empregabilidade. Escreva para roni@chittoni.com.br.

E, dentre as dezenas de perguntas que recebi, selecionei esta:

Vi sua proposta no Twitter e resolvi aceitá-la. Sou graduado no curso de Nutrição mas percebi que não era aquilo que eu queria. Gosto de um ambiente mais dinâmico e mais desafiador. Tenho 25 anos e resolvi prestar vestibular para Engenharia de Produção. Sempre gostei do ambiente corporativo (estágios em grandes empresas, trainees, etc.), de metas a cumprir, prazos, por isso optei pela área exata (por também gostar de números, mercado financeiro- sou concursado da CEF) e por saber das várias vagas para engenheiros nessas empresas. Penso em fazer futuramente um mestrado nessa área (Eng. Prod) ou MBA e aprimorar meu inglês num curso no exterior. Resumindo, ser mão-de-obra altamente especializada. Bem, este é um brevíssimo histórico meu, informando minhas preferências.

A minha pergunta é: como tenho 25 anos, vou começar um curso relativamente “novo” no Brasil, já com uma formação acadêmica, gostaria de saber as se são grandes as oportunidades que o engenheiro (não precisa ser necessariamente de produção) tem nesse ambiente que eu tanto almejo. Com toda especialização que estou me propondo a fazer, almejo também uma ótima remuneração e em decorrência disso, uma das maiores dúvidas é sobre o setor público e o privado, a velha questão da estabilidade X rentabilidade.

Espero não ter perguntando muito sobre este assunto, mas não tenho ninguém que me responda estas questões quase que existenciais dentro da vida profissional que quero levar. Desde já agradeço pela atenção e prestatividade.

Obrigado,
(assinatura)

Minha resposta:

Acredito que sua escolha, aparentemente, é muito sensata. Alguns ramos da engenharia, especialmente aqueles que lidam com aspectos estruturais de um segmento ou atividade econômica (como é a engenharia de produção), tem apresentado índices de crescimento positivos a ponto da demanda superar a oferta (em muitos casos, os alunos são contratados ainda dentro das suas faculdades). Além disso (da escolha pela formação acadêmica) sua “declaração de empenho” é significativa e, certamente, será um grande diferencial: a especialização.

Para um profissional formado, este ramo da engenharia oferece a perspectiva de lidar com aspectos multifuncionais importantes como recursos humanos, recursos financeiros e recursos materiais. Portanto, a sua especialização deve incluir uma formação complementar que “ajuste” o “nível de profundidade” do seu conhecimento em cada um destes recursos. De acordo com o GUIA DO ESTUDANTE, um Engenheiro de Produção pode atuar com:

Economia empresarial: Gerenciar a vida financeira de uma empresa, definir a aplicação de recursos, lidar com custos, prazos, juros e previsão de vendas.
Engenharia do trabalho: Administrar a mão-de-obra, para a produção de bens ou a prestação de serviços. Avaliar custos, prazos e instalações para possibilitar a execução do trabalho.
Desenvolvimento organizacional: Analisar e definir a estrutura da empresa, de acordo com o mercado.
Planejamento e controle: Implantar e administrar processos de produção, da seleção de matérias-primas à saída do produto. Estabelecer padrões de qualidade e fiscalizar seu cumprimento. Gerenciar operações logísticas, como armazenagem e distribuição.

Continuando, a fluência (falada e escrita) em mais de um idioma é um pré-requisito – talvez você deva pensar em um curso de gestão de projetos (PMI) no exterior, aliando a sua formação acadêmica com o aprendizado do idioma.

As oportunidades profissionais são muitas e não se restringem ao mercado de trabalho nacional. Pode-se cogitar uma carreira internacional, a partir de uma empresa nacional (construtoras, indústrias petroquímicas, etc). E você, dentre outras características aparentes (não vamos esquecer que a sua formação em Nutrição É um “ativo” importante), sugeridas pelo que você escreve, tem uma condição pessoal relevante: a sua idade (25 anos). A duração média de um curso de engenharia de produção é cinco anos. Ou seja, você terá 30 anos quando concluir sua graduação. Provavelmente vai competir, no mercado de trabalho, com profissionais com a mesma titulação que a sua (graduação superior) e com uma trajetória curricular semelhante (cursos complementares) mas com um perfil de idade, talvez, mais “baixo”. Isso é relevante. Diante disso, considero coerente para a sua estratégia recomendar o seguinte:

  • Inicie seus estudos para adquirir fluência no idioma inglês imediatamente. E tão logo possível, procure estudar um segundo idioma, alinhado com seus interesses pessoais e profissionais. Não é tão difícil quanto possa parecer;
  • Empenhe-se ao máximo em obter um conceito “A”, em todas as cadeiras. Uma grade de conceitos revela muitas informações úteis para uma empresa interessada em contratar “na fonte”, dentro das faculdades;
  • Escolha uma instituição de competência reconhecida. Seja muito criterioso nesta escolha. Consulte todas as fontes a disposição, principalmente as oficiais, do governo (Ministério da Educação);
  • Comece, desde o início, a investir no que será seu “ativo” mais importante: seu “capital social”. Tanto quanto possível, participe de seminários, congressos, workshops e outros eventos que oportunizem relacionamentos sociais e profissionais;
  • A partir de um certo “ponto” (talvez já no quarto semestre) prepare o seu currículo e apresente-o aos principais processos de contratação de trainne, em empresas do seu interesse e faça isso regularmente. Conquistar uma experiência profissional ainda na faculdade pode ser relevante.

Por fim, a comparação entre uma carreira no setor público ou no setor privado ganha contornos especiais, individuais. Ou seja, quais são os seus interesses, a longo prazo? Considero que ambas oferecem, ao profissional, perspectivas excelentes que se desdobram de formas distintas. Um indicador, que serve apenas como um “sinal”, é o salário médio pago a um gerente de produção, no setor privado, com cinco anos de carreira: pode chegar a R$ 10.000,00. No setor público, talvez você não encontre essa progressão salarial neste espaço de tempo, mas a contra-partida – estabilidade – é um valor importante, que deve ser pensado a longo prazo.

Desejo-lhe sucesso !

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