Seu currículo chega, no entrevistador, antes de você. O seu e, provavelmente, os de muitos outros profissionais.
Além de ser um documento que atesta ou apresenta suas experiências, você pode, portanto, transformá-lo em seu “porta-voz”. O Google pode ajudá-lo a encontrar dezenas de modelos e dicas e aqui, publiquei um post sugerindo alguns cuidados fundamentais com o seu currículo.
Contudo… tenho lido alguns conselhos de praticidade duvidosa, em diversos sites e blogs da internet – escritos por quem não entende do assunto -, afirmando coisas como “seu currículo tem 40 segundos para causar uma boa impressão”; “escreva com a letra Arial, em tamanho 12″; “a regra das duas páginas” e por aí vai…
Não acredito em muitos destes conselhos porque:
- Quando analiso um currículo, não estou preocupado com o tempo. Posso ler e reler um currículo por diversas vezes, pelo tempo que for necessário, atrás de informações que me ofereçam um “retrato” fiel do seu titular. Não sigo regra alguma de tempo e, acredito, nenhum recrutador sério tem, em sua mesa, um relógio que marque os segundos destinados a leitura de currículos. Mesmo que pensada em forma de uma metáfora, dando a entender que o seu currículo será pré-analisado em muito pouco tempo, essa idéia de “tempo” me parece, totalmente, despropositada;
- Alguns currículos que recebo são, de um certo modo, “desequilibrados”, ou seja, tem uma estética de apresentação irregular, escritos em fontes incomuns, com uma diagramação descuidada, longos. Contudo, não deixo de analisá-los. Levo um pouco mais de tempo, claro, mas não vou eliminar um currículo por isso se eu estiver atrás da “pessoa certa”. Nem vou atrever-me a antecipar meu julgamento sobre este candidato. Nem todos tem intimidade com os recursos de editoração (softwares editores de texto) e esta, em muitas profissões, é uma competência secundária. Relevante, claro, mas secundária. Se estou atrás de um controller, por exemplo, quero certificar-me que os candidatos tem as competências técnicas específicas, as experiências profissionais desejadas e uma formação acadêmica adequada. Não posso, simplesmente, eliminar um candidato pelo modo como ele apresenta seu currículo;
- Não quero “contratar” o currículo perfeito: quero contratar a pessoa certa, para o lugar certo. Já conheci, e contratei (com salários anuais na casa dos seis dígitos), profissionais notáveis que sequer tinham um currículo decente em mãos. Você pode basear seu currículo neste ou naquele modelo, com uma diagramação mais agradável, escrito de forma objetiva, com fonte do tipo tal. Mas, no fim das contas, não é isso que conta. O que vai ser avaliado é a coerência das suas experiências profissionais anteriores, suas conquistas e resultados (comprovados!) e outros critérios que digam, com precisão, quem você é. Se você não é a pessoa “procurada”, seu currículo (ou a forma como você o escreveu) é irrelevante.
O seu currículo é um documento que o apresenta. E só. Sem dúvida, existem algumas técnicas recomendadas para apresentá-lo. Mas se você não for a pessoa certa, de nada adianta ter um currículo “matador”.
A sua contratação não depende de uma folha impressa: depende de quem você é.
