Sou um espectador na minha profissão – assisto histórias, carreiras e sou uma espécie de coadjuvante em um momento importante na vida das pessoas que entrevisto. E sou muito grato por isso. Recebo lições de grande significado, todos os dias, sem exceção. Trago lembranças de pessoas notáveis, que tomaram em suas mãos o curso das suas vidas, das suas carreiras e floresceram.
Por outro lado, vejo outras histórias que poderiam ter outro enredo: estas, são de pessoas que “passam” e que levam sua vida ao sabor dos ventos e das marés. Julgam-se desafortunadas e deixam a vida levá-las, como naquela letra de um samba famoso.
Desperdício. O mais cruel dos desperdícios. Podemos desejar nossas “vidas futuras” – no quê nossas vidas vão se transformar – como o resultado de uma sucessão de eventos, absolutamente fortuitos, jogados à nossa frente pela mão do acaso? Ou podemos acreditar que temos o “destino” em nossas mãos e que, senão todo, ao menos uma grande parte do nosso “futuro” é construído, arquitetado e executado, imune aos sopros da sorte?
Do sangue de Úrano, deus absoluto dos céus, que fôra mutilado por seu filho, Cronos, a pedido da sua mãe, Gaia, nasceram as Moiras: três irmãs tecelãs que distribuem o “fio da vida” a cada ser humano. Ao tecerem, utilizam a Roda da Fortuna que ora posicionam o indivíduo no alto (onde a boa sorte faz as suas obras), ora colocam o indivíduo no ponto mais baixo (a posição menos desejada). Láquesis, uma destas irmãs, sorteia o quanto caberá a cada ser humano, fixando o nosso destino. Uma bela história mitológica da Grécia Antiga. Mas triste, para mim, quando a vejo em vidas reais.
Atrevo-me a perguntar “por quê”. Porque alguém deixa de tomar em suas mãos as rédeas da sua vida? Tornam-se pessoas cansadas, antes mesmo de envelhecerem fisicamente. Desistiram. As vejo como uma sombra difusa de alguns dos sonhos e desejos que me revelam – desejam tornarem-se profissionais de sucesso mas pouco, muito pouco, fazem além de esperar. E esperar… enquanto giram em torno do seu próprio eixo, na Roda da Fortuna, subindo e descendo.
Têm-se este direito? Por que, ao invés disso, não tentar ser o tecelão da própria vida? Por que não empregar todo o seu esforço para ser o que você deseja ser? Não tens nada a perder – nada, absolutamente. Sua vida é única e tens uma única oportunidade de vivê-la.
Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que escreveu livros formidáveis, publicou a “Arte da Vida” – um título que recomendo -, de onde reproduzo um parágrafo:
Tendemos a estender o nosso destino pessoal na soleira da sorte impessoal não porque nossas escolhas não tenham impacto sobre o itinerário de nossas vidas; nós o fazemos porque, no momento em que causamos esse impacto, não temos consciência (e não poderemos tê-la totalmente) do tipo de impacto que provocamos ou estamos para provocar. Em outras palavras, nós fazemos uma diferença, embora não podemos ter certeza sobre qual é a diferença que fazemos. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer fará diferença – não podemos evitá-lo. Mas só podemos desejar e tentar saber antecipadamente que tipo de diferença provavelmente faremos. E de fato tentamos – embora não necessariamente com tanta intensidade quanto poderíamos. O que nos impede de tentar com mais vigor?
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#1 by Rodi on 13/08/2009 - 20:39
As oportunidades nunca são perdidas,alguém sempre fica com as que deixamos de pegar!
#2 by Miguel M. Fernandes on 28/08/2009 - 11:13
Leia essa matéria, e veja onde se encaixa a Lei de Parkinson.
Bom proveito.