SEIS PASSOS

Stanley Milgram foi um homem curioso, que dedicou parte da sua vida ao estudo do comportamento das pessoas (era psicólogo formado em Harvard, em 1960). Ele realizou um experimento para provar uma tese conhecida desde o início do século XX: que o mundo estava se tornando cada vez mais “apertado”, ou seja, que as pessoas faziam parte de uma imensa “rede social”, distanciadas por poucos “nós”.

Seu projeto, publicado com o título “O Experimento do Mundo Pequeno”, foi simples e criativo: ele enviou cartas para algumas dezenas de moradores de duas cidades nos EUA, selecionados aleatoriamente, pedindo-lhes que o ajudassem a enviá-las para uma pessoa escolhida por ele, em outra cidade. As regras, bem explicadas em um texto que acompanhava estas cartas, determinavam que os participantes não poderiam enviá-las diretamente a pessoa “alvo”; só era permitido encaminhar a uma outra pessoa conhecida que, por sua vez, deveria fazer o mesmo até “fechar a corrente”, entregando a carta ao destinatário escolhido por Milgram.

Nem todos que foram selecionados, participaram. Mas as cartas daqueles que aceitaram o desafio chegaram até o destinatário após passarem por, na média, seis pessoas. Apesar de Milgram nunca ter usado o termo, sua experiência ficou conhecida como “Os seis degraus de separação”, uma teoria que diz que estamos separados de qualquer outro indivíduo no mundo por, na média, seis pessoas.

Depois dele, outros pesquisadores realizaram outras experiências com resultados semelhantes e se você procurar no Wikipedia (pesquise pelos termos “Small world experiment” e “Six degrees of separation) vai encontrar mais sobre o tema.

Você deve estar perguntando onde quero chegar e vou responder a sua pergunta… com outra pergunta: quem você conhece?

Hoje se fala muito sobre “fazer networking”, cuidar dos relacionamentos, investir em capital social. São algumas frases que estão em alta. Mas, qual o sentido prático disso?

Sabe, tenho a sorte de conhecer alguns dos profissionais mais notáveis, mais capazes e que poderiam ser contratados por qualquer empresa que precise de pessoas que fazem as coisas acontecerem. Mas como é de se esperar, os “ciclos” se encerram (alguns estudos sérios sugerem que você irá trocar de emprego por, na média, cinco vezes ao longo da sua carreira) e alguns deles chegam a a ficar desempregados por três, seis meses ou até mais do que isso. Incompetentes?

Não, longe disso. Ocorre que como estamos, quase sempre, muito ocupados perseguindo nossas metas, executando, trabalhando até tarde ou mesmo nos finais de semana, acabamos nos relacionando e conversando com as mesmas pessoas, dentro de um pequeno círculo. E a nossa “agenda social” cresce pouco desta forma. E quando a sua cresce, sou capaz de apostar, é de nomes que trabalham no mesmo ramo, em empresas que concorrem no mesmo mercado e disputam os mesmos clientes.

Agora, pense comigo: você é um profissional “hands on”, que “traz o resultado”. Porém, sua empresa está em um mercado sensível e uma alteração cambial qualquer faz com que o cenário fique desfavorável para a sua empresa. E para todas as outras que concorrem com ela. Suponha que você perca seu emprego por causa disso. Você e mais outros tantos, iguais a você. Numa situação extrema como essa, adianta ter uma agenda de nomes de pessoas que trabalham no mesmo ramo? Obviamente, não. Mas dê uma olhada, agora, na sua agenda…

Eu poderia continuar, criando diversas outras situações, mas o ponto em que quero chegar é o seguinte: quem você conhece? Quantas pessoas você conheceu nestes últimos seis meses que podem, de uma forma ou outra, ser o “ponto de partida” para um novo emprego? E quanto tempo você dedicou para o cultivo destes relacionamentos? E de que forma?

Seis degraus de separação – talvez, quem sabe, seu próximo emprego pode estar a apenas seis passos de distância.

Quem você conhece?

Para ler mais: Pessoas conhecem pessoas

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